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Ceará, 11 de Fevereiro de 2012
             
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Exemplo Socialista

Florestan Fernandes vida e obra

13 de Agosto de 2009 às 16:53
 
 

Gostaria de lembrar à sociedade brasileira, não da morte, mas da vida de um dos mais ilustres homens que nosso país já produziu. Seu nome: Florestan Fernandes. Sociólogo e estudioso brilhante, mas, fundamentalmente, um lutador social, figura humana cujo olhar foi sendo constituído a partir da vida concreta, das experiências sociais vivenciadas no cerne de uma sociedade que permanece injusta e desigual, apesar dos avanços recentes. Queremos lembrar o homem que esse homem deixou contribuições intelectuais reconhecidas em todo o mundo, pensando a sociedade brasileira a partir das minorias, minorias estas que, sendo múltiplas, constituem a imensa maioria de um povo que se constituiu de forma heterogênea.  

 

A partir dos de baixo, Florestan Fernandes ocupou espaço na academia e na vida pública para tornar-se referência nacional. Por isso mesmo, sua história não pode ficar restrita às citações bibliográficas ou às estantes de bibliotecas. Ocupamos este espaço, como forma de tornar presente o exemplo dado por esse cidadão genial, e não o fazemos somente nestes espaços institucionais. Queremos levar sua mensagem para nossa base eleitoral, no Estado do Ceará, e para todos os lugares onde nossa presença possa contribuir para iluminar o debate sobre a ética da política, sobre a ética do pensamento científico social. Queremos lembrar a vida e a obra de um homem que acreditou que a força das idéias pode mudar o mundo, e que o pensamento não pode prescindir de interpretar a realidade a partir das forças produtivas e culturais que de fato fazem do nosso país um horizonte de riquezas, mas também de contradições que necessitam ser mais bem compreendidas.

 
 
Órfão de pai, Florestan nasceu em 1920, em São Paulo, filho de uma imigrante portuguesa, trabalhadora rural que depois se converteria em empregada doméstica. Ele começou a trabalhar aos seis anos, como engraxate, depois garçom e vendedor. Consta que fora chamado por outro nome durante a infância porque os patrões de sua mãe não admitiam que ele fosse chamado por Florestan. O casal dizia que o nome era típico das classes superiores e que ele era apenas um simples filho de lavadeira, no entanto ajudavam em sua formação, principalmente enquanto leitor. Trabalhando, Florestan não pode cursar o secundário, optando mais tarde por fazer o curso de “madureza”, ou supletivo, como chamamos hoje. Por seu próprio esforço chegou à universidade pública, a USP, aos 21 anos. 
 
 
   
O sociólogo Florestan Fernandes dedicou seus estudos a tratar dos movimentos sociais, da ação dos índios e negros, imigrantes, escravos e trabalhadores rurais e urbanos. Escolheu estudar os excluídos do sistema capitalista porque ele mesmo sofrera na pele os percalços de uma vida conturbada. Ao tornar-se intelectual passou a defender uma sociologia que transformasse a realidade e fosse transformada por ela. Configurou-se, portanto, como um cientista marxista, mas principalmente um democrata. Acreditava que, o pensamento, quando intervindo na realidade, só pode promover mudanças por meio da democracia participativa. Florestan foi também um cidadão atuante, ganhando o apelido de “sociólogo militante”. Socialista, ele deu continuidade ao legado de Nelson Weneck Sodré e Caio Prado Junior, inaugurando a terceira geração de marxistas brasileiros. Ao estudar as interpretações da obra de Karl Marx no Brasil, Florestan Fernandes percebeu que existiam limites históricos para a emancipação e autonomia do Brasil. A partir das análises sobre o desenvolvimento econômico do país, chegou à conclusão de que era preciso denunciar o advento de um capitalismo internacional.

 

Uma pergunta inquietava o sociólogo: por que a burguesia brasileira optara por um modelo político autoritário e com democracia participativa limitada? A resposta estava na maneira peculiar como o capitalismo se desenvolveu no Brasil. A figura inicial do burguês brasileiro, com sua principal atividade econômica ligada ao comércio, não foi o principal impulsionador do capitalismo brasileiro. Foi com a chegada dos imigrantes e o surgimento do chamado novo fazendeiro é que foram implementadas relações de produção realmente capitalistas no país. Desde a origem, o capitalismo brasileiro se instalou como um ideal estrangeiro, tanto no sentido produtivo como na distribuição das riquezas. Por isso mesmo, a autonomia nacional esbarra em questões seculares. Florestan mostra que o Brasil apresenta mais continuidades econômicas que mudanças distributivas, o que impede que os agentes transformadores possam agir promovendo maior justiça social. Nesse sentido, os trabalhadores assalariados deveriam viver plenamente sua contradição com a burguesia. Os sujeitos sociais da mudança deveriam ser as maiorias, os excluídos, as mulheres, negros, índios, os cidadãos comuns.

Deputado Federal Eudes Xavier PT-CE


Comentários:

 
ronaldo 
Sou Vigilante da Nordeste nobre deputado Eudes Xavier e gostaria muito de poder contar com a sua colaboração. Como o Senhor foi designado a esse projeto de lei de adicional de periculosidade dos vigialantes pesso que o Senhor tenha consciência e olhe com bons olhos esse projeto. Se aprovado terá o retorno se não são dez mil vigilantes contra a vossa excelência em termos de votos é muita coisa. Se tiver um retorno positivo vamos todos trabalhar a seu favor.
16/11/2009 ás 17:23:10

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