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Ceará, 04 de Setembro de 2010
             
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Juventude

Unesco divulga pesquisa sobre juventude e sexualidade

03 de Outubro de 2007 às 07:00
 
 

A Unesco no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou na primeira semana de março, em Brasília, um estudo sobre juventude e sexualidade, realizado em 13 capitais (Belém, Cuiabá, Florinópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória) e no Distrito Federal.

A pesquisa, que ouviu alunos, pais, professores e membros do corpo-pedagógico de escolas públicas e privadas por amostragem, traz importantes revelações sobre o comportamento sexual dos jovens e aborda questões como aborto, gravidez na adolescência, iniciação sexual, virgindade, prevenção, métodos anticoncepcionais, relações afetivo-sexuais como o "ficar" e o namorar, diálogos com adultos sobre sexualidade, tipos de violência como assédio, estupro ehomofobia e trabalhos na escola sobre sexualidade.

Foram entrevistados 16.422 estudantes entre 10 e 24 anos, sendo 53,3% do sexo feminino, 4.532 pais e 3.099 professores de escolas de ensuno fundamental e médio. O estudo foi coordenado pela professora da Universidade Católica de Brasília e coordenadora do Osbervatório de Violência nas Escolas, Miriam Abramovay, e pelas pesquisadoras da Unesco, Mary Garcia e Lorena Bernadete Silva.
De acordo com os números levantados, a iniciação sexual acontece cada vez mais cedo na vida de um jovem, os homens experimentam a primeira relação entre os 13,9 e os 14,5 anos e as mulheres entre os 15,2 e os 16 anos.

A pesquisa também revelou que os jovens têm preconceitos comuns aos observados durante a pré-revolução sexual: cerca de um quarto dos entrevistados não gostariam de ter um colega de classe homossexual. A integrante do Movimento Delas, Yone Lndgren, diz que os que mais sofrem com o preconceito, na escola, são os travestis. Numa pesquisa realizada pela organização, em 2003, 90% dos travestis da Zona Oeste do Rio de Janeiro que abandonaram os estudos o fizeram por causa da discriminação. Os outros 10% deixaram a escola porque fugiram de casa.

A homofobia também existe entre os pais. Em Fortaleza (CE), os que mencionam que não gostariam que seus filhos estudassem com homossexuais chega a 48%. O menor índice foi registrado em Porto Alegre (RS), 22%.

O resultado da pesquisa é um retrato dos valores, experiências, apreensões e dificuldades vividas pelos jovens, segundo uma das idealizadoras do projeto. "Precisamos ter cuidado com os resultados médios, porque o brasileiro não é médio. Há muitas diferenças regionais", adverte Miriam Abramovay.
A gravidez em adolescentes e, principalmente, o fato de elas assumirem sozinha um filho ainda é tabu no país. Dos estudantes de 10 a 24 anos ouvidos para a elaboração do livro, entre 2,2% e 4,7% afirmaram que não gostariam de ter como colegas de classe mães solteiras. "Aparentemente, tais proporções parecem baixas, contudo são preocupantes, tratando-se de preconceitos", afirmam as coordenadoras da pesquisa. Entre os pais, o preconceito é maior, sendo que 7,5% declararam ser contrários à idéia de que seus filhos estudem junto com mães solteiras.

O estudo também mostra mudanças de comportamento quanto à importância da virgindade. Os homens tendem a dar menos importância à virgindade que as mulheres. Em média, 68% afirmam não dar importância a essa questão. Quando o assunto é a virgindade masculina, o resultado é inverso: mais homens se mostraram favoráveis à virgindade até o casamento do que as mulheres.

A pesquisadora Mary Castro ressalta que, apesar da imagem de promiscuidade que os adultos costumam fazer dos jovens, a pesquisa mostra que eles preferem ter apenas um parceiro. Em média, 70% dos adolescentes afirmam que tiveram relação sexual com apenas um parceiro. Na maioria das capitais pesquisadas, 80% recusam a perspectiva da existência do amor sem fidelidade. E mais de um terço acredita que seus parceiros fazem sexo apenas com eles.

O método contraceptivo mais usado é a camisinha, seguido pela pílula anticoncepcional e a tabelinha. Em média, mais da metade dos entrevistados, em todas as cidades pesquisadas, disseram que usam preservativo em todas as relações sexuais. Apenas em Fortaleza e Salvador, os resultados revelaram menor preocupação dos jovens em se prevenir contra a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids – 36% e 39,2%, respectivamente, disseram que sempre usam camisinha.

[Com textos de Cecília Jorge, Repórter da Agência Brasil]


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