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Ceará, 11 de Fevereiro de 2012
             
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Teoria

Economia Solidária no Brasil: Um outra economia acontece

01 de Outubro de 2009 às 07:00
 
 

É um sistema de produção no qual a maioria das pessoas trabalha oito ou mais horas por dia, executando tarefas repetitivas e sem sentido, subordinadas às ordens de patrões e chefes. E tudo isso por uma remuneração incapaz de garantir as mínimas condições para uma vida digna, na maioria das vezes.

Considerado como único modelo possível por aqueles (as) que sempre ganharam com essa forma de organizar o trabalho e a produção, nos últimos duzentos anos o capitalismo tornou-se dominante em todo o mundo.

Todavia, a realidade teima em contrariar certas teorias. São os (as) próprios (as) trabalhadores (as) que na sua vida concreta demonstram o contrário. Uma outra forma de organização do trabalho e da produção já acontece e vem crescendo nos interstícios do próprio capitalismo, envolvendo milhares de pessoas em diversas partes do mundo.

Nos referimos a Economia Solidária (ES) como uma forma antagônica à lógica capitalista de produção. Ao invés do individualismo e da competição, a solidariedade e a cooperação; ao invés do despotismo e da subordinação, a democracia e a igualdade; ao invés da exploração e da alienação, a divisão justa dos resultados, a democratização da informação e a autogestão.

A construção do que foi acumulado até aqui pela Economia Solidária no Brasil é uma conquista da classe trabalhadora, que resistiu a implantação do projeto neoliberal em nosso país. Foram anos de resistência a valores políticos pragmáticos, cínicos e egoístas, característicos do neoliberalismo, enfrentados por trabalhadores (as) do campo e da cidade. Esses trabalhadores (as) estão se organizando, buscando nas suas experiências a apropriação coletiva do resultado do seu trabalho, conquistando o controle e propriedade dos meios de produção, realizando uma gestão democrática e participativa dos mesmos e afirmando com isso que a autogestão é elemento central para a construção de uma outra sociedade, que para nós é a sociedade socialista.

Como contribuição a construção dessa outra forma de produção e de sociabilidade, colocamos o nosso mandato a serviço da Economia Solidária. Nesse sentido, estamos realizando um conjunto de ações voltadas a fortalecer e difundir a Economia Solidária, como a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Economia Solidária, a elaboração deste caderno, que servirá de fonte de informação e inspiração para todos e todas que estejam dispostos a construir uma sociedade justa e solidária e muitas outras iniciativas.

Esse Caderno tem o objetivo de apresentar os conceitos da Economia Solidária, os elementos de sua história recente e do seu crescimento econômico, social, cultural e político. Também relata sua incorporação enquanto política pública do Estado, nas suas diferentes esferas, em especial destacando o seu desenvolvimento durante o governo do Presidente Lula, que criou a Secretaria Nacional de Economia Solidária - SENAES, no Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Este Caderno é dedicado a todos (as) aqueles (as) que, como disse o poeta, "não sabiam que era impossível, foram lá e fizeram".


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