EUDES CHAVIER - Deputado Federal • clique para imprimir

 
  - 10/11/2009
A humanidade enfrenta hoje uma escolha extrema: ecossocialismo ou barbárie
 

O ser humano há muito tempo vem relacionando-se de forma desordenada com a natureza, usando e ocupando a Terra de maneira predatória, causando um desequilíbrio ecológico sem precedentes. O século XXI já se inicia com desastres ambientais e crises profundas na ordem mundial que vai de tsunamis e furacões até às guerras que se espalham pelo mundo. O aceleramento das mudanças climáticas é conseqüência dessa relação do homem com a natureza, produzindo assim impactos catastróficos nas vidas humanas, animal e vegetal. Esse acontecimento é real e comprovada por uma pesquisa (IPCC) Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas de 2007 realizada por pesquisadores do mundo que comprovam essa mudança do clima.

Mas não é o Aquecimento Global e as mudanças Climáticas que afligem e preocupam os governos, os meios de comunicação e a maioria da população, a verdadeira preocupação é a crise no sistema financeiro mundial. E essa crise é analisada separadamente das relações sociais e ambientais, como se não houvesse qualquer interferência entre elas.

Diferentemente desses, existem pessoas organizadas ou não que acreditam que essa crise é sistêmica. Ela é ao mesmo tempo econômica uma vez que interfere profundamente no trabalho, na produção e no consumo das pessoas, aumentando o preço de produtos básicos para a sobrevivência humana. Política, já que os direcionamentos dados a cada problemática são diversos e relacionados a pensamentos ideológicos. Também é social, pois as estruturas da sociedade não dão conta das necessidades e desafios atuais, interferindo, diretamente, na forma de organização das sociedades. E, profundamente, ambiental, já que a natureza é fator limitante para a sobrevivência das pessoas, pois é dela que são retirados os recursos que geram o ciclo de produção e consumo e reprodução da humanidade. E, além disso, é ética, por colocar em cheque valores como o individualismo e a responsabilidade com as atuais e futuras gerações. Nenhuma dessas crises estão isoladas umas das outras. Isso quer dizer que a crise ecológica e o colapso social estão profundamente relacionados. Suas conseqüências deveriam ser vistas como manifestações diferentes, mas com causas nas mesmas forças estruturais, o capitalismo.

Essa crise é resultado do modelo de civilização que vivemos que coloca o desenvolvimento e o lucro acima dos limites do planeta e de todas as formas de vida. Devemos perceber que os recursos naturais são limitados e que não podemos destruí-los para o benefício de uma parcela da humanidade, excluindo, massacrando e explorando a maioria da população. Mas ao mesmo tempo, a Terra é rica e abundante tendo condições de alimentar todos os povos, com respeito e distribuição dos recursos de forma igual e sempre com o cuidado para com a nossa grandiosa e generosa Mãe Terra. Cuidar da Terra é perceber que somos parte integrante dela e que podemos viver em harmonia com todos os seres, sem degradar. Satisfazendo as nossas necessidades.

Por isso é fundamental romper com o atual modelo de desenvolvimento, o capitalismo, que já se mostrou incapaz de regular e, muito menos, de superara as crises que criou. Ele não consegue resolver a crise ecológica porque fazê-lo significa colocar limites ao processo de acumulação, uma opção inaceitável para um sistema baseado na maximização do lucro. Devemos partir para a superação desse sistema, e construir o ecossocialismo. Um modelo de sociedade que estabeleça uma relação igualitária entre a humanidade com ela mesma e com a natureza.

O Ecossocialismo é, então, uma das opções políticas que atuam no interior do ambientalismo. É parte do movimento sócio-ambiental que é anti-capitalista unindo a luta ecológica à causa socialista. Assim, ele se contrapõe tanto com os socialistas que não consideram a importância estratégica da luta ecológica, como com os ecologistas que não atuam no sentido anti-capitalista.

Construir o Ecossocialismo significa lutar pela não separação dos produtores (trabalhadores) dos meios de produção (ferramentas necessárias para que os trabalhadores consigam transformar a matéria prima em produto) que é um dos princípios do socialismo, associada com a redefinição da trajetória e objetivo da produção em um contexto ecológico, ou seja, repensar todo o processo produtivo; a necessidade desse produto para a humanidade, como ele será produzido, que recursos ele necessita para ser produzido, se pode ser substituído por outro que cause menos impacto, como e onde ele será descartado.

Ele integra o socialismo e a ecologia especificamente em relação aos “limites ao crescimento”, essencial para a sustentabilidade da sociedade. Isso sem impor escassez, sofrimento ou repressão à sociedade. Propõe uma profunda transformação das necessidades, uma mudança de dimensão qualitativa, não quantitativa na vida das pessoas. O que quer dizer valorização dos valores de uso em detrimento dos valores de troca sob uma perspectiva ecológica.

 

“Não se trata de contrapor a sobrevivência humana à de outras espécies,
trata-se de entender que elas são inseparáveis e que nossa sobrevivência como
seres humanos depende da salvaguarda do equilíbrio ecológico e da diversidade
das espécies.” *

Michael Lowi


Lutar pelo ecossocialismo é também estar junto na luta das mulheres. É compreender que não existirá uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária se as mulheres continuarem a serem descriminadas, violentadas e desvalorizadas em relação ao outro sexo, o homem, e nem se o feminino não estiver no mesmo patamar que o masculino. É lutar para que as mulheres tenham autonomia sobre seus corpos podendo decidir sobre ele.

É também combater o racismo. Não permitir que nenhum ser seja descriminado pela sua cor, cabelos, olhos, vestimenta, música, ou qualquer outro tipo de forma. Deve haver o respeito pelas diferentes culturas, diferentes maneiras de viver.

Os Ecossocialistas também estão na batalha pela livre orientação sexual. Não aceitam que pessoas sejam julgadas e condenadas pela escolha sexual que fazem. As pessoas devem ser livres para amar.

É lutar pela soberania dos povos. Nenhum povo deve ser subjugado por outro.

Construir o Ecossocialismo é também carregar as bandeiras geracionais. É perceber que cada geração tem necessidades diferentes. É compreender que os jovens são sujeitos de direitos. A juventude não una, é diversa, múltipla. Ela é mais do que uma etapa na trajetória de vida dos indivíduos, é mais do que uma fase preparatória para a vida adulta. A condição juvenil possui "valor" por si mesma. Ela exige uma série de políticas públicas gerais, e também específicas, que se mostrem aptas a minimizar os riscos e os problemas sociais que recai principalmente sobre essa geração, bem como maximizar as oportunidades de inserção econômica, social, política e cultural dos jovens.

A juventude tem um papel importante nessa construção. 51 milhões de jovens brasileiros com idade entre 15 anos e 29 anos** enfrentam diversos riscos e problemas no seu cotidiano causados pelo modelo de desenvolvimento da nossa sociedade, que só tende a piorar quando chegarem à idade adulta. Esses jovens que enfrentam riscos e problemas só conseguirão superá-los com a sua inserção na mobilização social e política das organizações da sociedade civil.

Para os ecossocialistas as lutas não estão separadas. Por isso, as crises podem e devem ser vistas como oportunidades revolucionárias, e como tal temos o dever de afirmá-las para superá-las.

 

http://www.eudesxavier.org.br